quarta-feira, 15 de junho de 2016

Os efeitos negativos de um atendimento padronizado



Alguns dos serviços de atendimento ao consumidor oferecido pelas empresas, obedecem a um padrão: o consumidor liga, escolhe o assunto através de URA ( Unidade de Resposta Audível)  que nada mais é que uma escala de opções de atendimento. Caso seu assunto não esteja elencado, é oferecida a oportunidade de se falar com um atendente. 

Nesse momento, o consumidor se depara com um interlocutor muito educado que o cumprimenta, fornece um número de protocolo, ouve atentamente a exposição do caso e... não oferece nenhuma alternativa interessante ao cliente.  No máximo, informa que “estará encaminhando” sua questão para determinado departamento, que retornará assim que tiver uma resposta. 

Isto se deve a alguns fatores, dentre eles: “scripts” incipientes e desconhecimento dos atendentes acerca da empresa, quando esta contrata um serviço terceirizado.  A equipe desconhece a empresa contratante, seu produto ou serviço, ou se conhece, é superficialmente.  O “Back Office”, os processos  e o procedimento padronizado também estão entregues ao “call-center” contratado.  A empresa dá o aval no pacote e esquece o assunto, achando que tudo estará resolvido.  

O serviço fica completamente engessado, não permitindo partir do atendente, nenhuma proposta interessante que possa solucionar o problema apresentado.  

A expectativa do consumidor em resolver o seu problema é adiado e ele sabe que terá que recorrer, quem sabe quantas vezes, ao atendimento para saber se já há alguma resposta. 

Fico pensando no custo de uma PA (posto de atendimento), no tempo que é perdido diariamente em ligações e outros encargos. No custo de uma plataforma inteira de atendimento para nada ser resolvido na primeira ligação! 

O mapeamento dos processos, a padronização do atendimento são maneiras eficazes para que o fluxo do trabalho seja otimizado e deve ser elaborado de maneira inteligente, referenciando-se a cultura da contratante e  baseando-se em ações eficientes. 

É necessária também, a avaliação do perfil de cada um dos envolvidos no atendimento. Treiná-los a seguir um “script” elaborado com qualidade, que tenha conteúdo e gere conhecimento do negócio, além de flexibilidade para que eles possam resolver questões, logo na primeira ligação.

A equipe deve possuir capacidade de contornar as mais diversas situações e oferecer possibilidades ao cliente. Principalmente - devem estar habilitados a pensar.  

Manter equipes mais capacitadas e capazes de apresentar alternativas aos clientes pode ser a chave para a reversão de insatisfações, fidelização de clientes e consequente fortalecimento da imagem da organização. É sabido que muitos clientes deixam as empresas por dificuldades na hora de contatá-las para solução de algum impasse.  

Isso representa $$$$ voando pela janela e em tempos de crise, cada $ é gasto pelo cliente de maneira mais cuidadosa.Nesse caso, quem está perdendo mais, o cliente ou a empresa?