Estive
pensando na época em que o atendimento telefônico das empresas começou a se
automatizar. Aquilo era o máximo! Você ligava e uma voz atendia direcionando-o
ao paraíso do atendimento! Com
o tempo, o serviço se transformou numa parafernália eletrônica com tantas opções
que enlouquece qualquer um que procure a empresa.
Quando
falo em atendimento automático me refiro à gravação de voz que segmenta as
ligações pelo assunto que o cliente deseja ver resolvido. Este tipo de
atendimento é bastante interessante e apresenta algumas vantagens, pois torna o
fluxo das ligações mais rápido e especializado, com economia para a empresa, pois
o atendimento
feito por uma pessoa é mais caro.
Na
verdade o atendimento pessoal não custa tanto, o salário de um atendente é
muito baixo, mas se considerarmos os gastos com treinamento específico, disponibilização de espaço e ainda,
o tempo de amadurecimento do profissional...
Algumas empresas apresentam hoje uma gama tão vasta
de serviços, pacotes e itens que a URA (Unidade de Resposta Audível) tornou-se
de entendimento impraticável, tão diversificada são as opções apresentadas.
E aí o cliente tem que ter certa rapidez de
raciocínio para não perder a deixa da gravação de voz. Se ele ligou para reclamar
isso acirra ainda mais a sua irritação, imagine só se ele queria apenas tirar
uma dúvida!
Ao ouvir a
URA com tantas opções, o consumidor logo percebe que o atendimento é impessoal
e tem a sensação de que o seu problema não será tratado com atenção.
O cliente brasileiro
é especial, ele cria laços afetivos com a empresa e quando não se sente
acolhido pela organização que escolheu, fica muito decepcionado.
Há algum tempo li uma matéria muito
interessante da jornalista Nadja Sampaio, publicada no O Globo, intitulada “A irritante máquina
que fala com o cliente”. No texto, a autora aponta
a dificuldade que os consumidores têm ao ligar para uma empresa e serem
atendidos por uma máquina e como eles percebem que a sua questão não será
resolvida a contento.
E para
piorar, quando enfim, o cidadão encontra um caminho para falar com um
atendente, não consegue a solução para o seu problema, pois, como lhes falei
acima, o treinamento é caro, fraco e alguns gestores acham que um “script"
resolverá qualquer situação.
Num “script”
engessado, fica difícil o atendente encontrar soluções rápidas. Além disso, as empresas
temem que seus atendentes reajam mal à irritabilidade do consumidor, pois a
ligação é gravada e qualquer deslize poderá ser usado no caso de se ir à
justiça. Assim, preferem a modalidade do “script” para tudo...
É
claro que num atendimento assim, a chance do consumidor ficar contente cai
muito.
Para
que o serviço tenha um desempenho satisfatório, é preciso analisar com bastante
critério a árvore de opções do atendimento eletrônico para que esta seja
confortável para o cliente e abranja os assuntos mais procurados, deixando a
opção de atendimento pessoal ao alcance do cliente. Principalmente a opção de se
cancelar a escolha feita e de se falar com uma pessoa de verdade logo no
primeiro menu.