quinta-feira, 12 de maio de 2016

A crise econômica e as relações de mercado

Com a crise econômica e política que estamos vivenciando no país, penso que essa é a hora das empresas revisarem as suas estratégias de captação e retenção de clientes, pois o perfil destes vem mudando rapidamente.   Há mais desempregados e a população está ansiosa por mais transparência, tanto na política, quanto nas relações comerciais.

Até o momento, para alcançar a satisfação plena e a fidelização de seus clientes, as empresas ofereciam os mais diversos tipos de facilidades. E era isso que o consumidor buscava. Ele optava por aquelas organizações que mais lhe traziam benefícios associados, tratamento sofisticado (cafezinho, champanhe), pacotes de produtos casados (combos), “delivery” 24 horas, brindes ou  o fato de encontrar diversos itens em um só estabelecimento, mesmo que tivesse que pagar mais caro por isso.  

Em uma sociedade em crescimento econômico, o cliente tem um perfil que visa, além da comodidade,  um certo “status” que a marca pode lhe trazer, o tapete vermelho. 

Com a adoção de pequenas manobras, este tipo de cliente é mais fácil de reter, uma vez que dificilmente troca de marca, a não ser que o concorrente lhe ofereça mais vantagens deste tipo.

A partir de agora, as empresas terão mais dificuldades para obter a fidelização de seus clientes, uma vez que o dinheiro está se tornando mais escasso e nesse contexto, seu comportamento tende a mudar.  O cidadão passará a ter mais preocupação com o item preço em detrimento de qualquer outra comodidade que a organização possa lhe oferecer. 

Este tipo de cliente é aquele que não se demora na empresa e somente volta se lhe for oferecido o melhor preço do mercado.  Sem dúvida, esse indivíduo custará mais caro, uma vez que o ir e vir de clientes, cujo indicador é acompanhado cuidadosamente pelos gestores, tem um custo bastante elevado e o lucro baseado em preço/volume de vendas deverá  se reduzir.  

Assim, as empresas não devem perder tempo e, baseadas nesse novo cenário, procurar adotar novas estratégias.

As organizações que investem em atendimento automatizado e que acreditam que o cliente pós-venda não é a prioridade de seu negócio, vão amargar nesse período.

A postura das empresas deverá ser outra: buscar maior flexibilidade em suas negociações, transparência nas relações e atenção ao cliente, que não vai querer mais ter prejuízo, seja financeiro, ou em serviços ou produtos prometidos que não o atendem. 

Principalmente, não vai mais querer negociar com empresas que só oferecem um atendimento impessoal, despreparado e sem poder de atuação na solução de seus eventuais problemas.  Ele vai reclamar mesmo!  A famosa ponta do “iceberg” vai ficar bem maior. 
                                                                      
Regina Carvalho   
      Consultora em Relacionamento com Clientes   

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