A
área de atendimento de uma empresa é um dos mais importantes canais de
relacionamento, se não o mais importante, pois é a porta de entrada de seus
clientes. Resumindo, é a oportunidade para se saber se o produto é bom ou ruim,
se você está vendendo para o cliente certo, se o atendimento “tá legal” e por
aí vai...
Tenho
observado como algumas empresas aqui no Brasil conseguiram transformar o
atendimento ao cliente em seu oposto.
O
que acenava à sociedade como um facilitador para o acesso dos clientes às empresas,
transformou-se em um intransponível muro onde este, na maioria das vezes -
plagiando os adolescentes de hoje - “fala com sua própria mão”, ou seja, não é
no mínimo, escutado.
Essas
empresas não querem escutar mesmo ninguém, somente o tilintar das moedas que
entram em suas contas bancárias. Não estão nem aí para nós, os clientes. Até
porque, confiam no seu tamanho e no seu poder de mercado. Afinal, um cliente a
mais ou a menos...
Geralmente
são grandes empresas, que ainda teimam em comparar o volume de reclamações que
recebem com a quantidade de produtos que despejam no mercado. Acham poucas as
reclamações se comparadas ao volume de vendas. Para o seu governo, essa conta
sempre dará errada. Claro! O volume de vendas sempre será bem maior que as
entradas das reclamações! A não ser que...bom, deixa prá lá.
Hoje
a concorrência já não é tão “concorrente” assim. Oferece o mesmo produto por
quase o mesmo preço, com a mesma “qualidade de atendimento”, sem grandes
diferenciais que possam destacar o produto ou o serviço, além de um belíssimo comercial
ou de promoções temporárias que sinalizam vantagens não muito claras para os
consumidores.
Então
porque se aborrecer, ouvindo os clientes? “Estes caras compram o produto e já
acham que entendem do negócio!”
E
aí, como o atendimento não é o negócio final das organizações, entregam o
problema para outra empresa, a fim de que esta estabeleça um grande muro, blindando-os
de aborrecimentos, chororôs e mi-mi-mis.
Uma
pena! Com isso, o cliente perde tempo, dinheiro e paciência. Já a empresa...
Esse
trágico cenário pode e deve ser mudado e para que isso aconteça,
será necessário que a própria sociedade brasileira mude sua cultura. Que as
organizações entendam que o seu único negócio é - sim - o cliente! Que o
empresário tenha em mente que poderá mudar de ramo quantas vezes quiser, vender
pasta de dente, pneus, geladeiras ou aviões, que o seu cliente sempre vai estar
lá, representando o seu volume de vendas, definindo o seu sucesso ou o seu
fracasso empresarial!
Que
ele conheça a fundo seus deveres para com a sua clientela, para com a sociedade
e principalmente abandone de vez a idéia
do “sucesso hoje”, investindo mais no “sucesso sempre”, mais conhecido como
fidelização.
E
a propósito, fidelização não é brinde, presentinho ou cartãozinho de feliz aniversário!
É produto ou serviço de qualidade, é a clara identificação do que o cliente
quer ou precisa ou como a propaganda da TV diz: é prazo, qualidade e preço!
Por
outro lado, há a questão do cliente. Que ele se esforce mais para conhecer os
seus direitos e principalmente lute por eles. Que se conscientize de seus deveres e saiba
negociar com as empresas. O cliente brasileiro tem vergonha de perguntar sobre
o produto ou serviço que lhe é oferecido ou de negociar um desconto ou
parcelamento no preço. Ele não conhece o seu poder de barganha. Isto porque,
não temos no Brasil uma educação que contemple a questão da cidadania. Com este
item inserido nas agendas escolares, as relações de consumo no futuro serão bem
mais equilibradas.
Assim,
não só teremos um relacionamento mais sério entre empresas e clientes, bem como
uma sociedade mais rica de valores éticos.
Excelente texto...parabéns!!!
ResponderExcluirMais do que um texto correto, instrutivo, abrangente e interessante, dá prazer em ler!!!
ResponderExcluirExcelente visão de Relacionamento com o Cliente. Parabéns!
ResponderExcluirAdorei, Regina! Esclarecedor e animador. Depois da leitura me deu vontade de resolver uma "pendenga" com uma empresa aí... Obrigada.
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